sábado, 18 de abril de 2015

Nunca levei a sério quem me dizia o quanto é difícil parar de fumar. Sim, sou bem trouxa. Hoje fumei dois cigarros, só porque estava concentrada, trabalhando. Normalmente fumo bem mais. Mas chega aquele momento em que você começa a olhar para os lados, morder o canto da bota, coçar o nariz, se remexer na cadeira, puxar os cabelos, se levanta, alonga e... e... quando vê, já dispersou e ta indo ao encontro da carteira, do isqueiro, "Ai merda, cadê essa porra!!!", vai até o fogão, queima parte da franja e carboniza a ponta do cigarro, mas consegue acender o cigarro e é como sempre dizem os hipócritas que fingem para si mesmos que levam uma vida completamente saudável: "fuma condenada, fuuumaaaa". Dispersa, com a sua fuga simples e eficaz. Mas logo vem ele. Eram os seus sinais, nada românticos...
Aquele pensamento intrusivo vem brutal. Torrencial como chuva tropical e latente como uma punhalada. É como um encosto. Chega sorrateiro para se espraiar na minha realidade e me tolher para o resto do mundo. Vou até o banheiro tonta e com a pressão baixa. Vejo meu reflexo. pouco lamentável lamentável, com duas olheira roxas abaixo dos olhos, espinhas cobrindo os poros, machucados. Por que fico tão refém de um sentimento que é quase um demônio interno? Me arranho para sentir se há vida a pulsar. Já foi bem pior. Antes eram facas, tesouras, estiletes, canivetes, giletes... Sentir arder e latejar.


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