Aquele momento fracassado em que você olha o valor do livro que acabou de comprar na livraria, na Estante Virtual e ele sai por -MUITO% do preço. Você reflete, suspira... Sente que gastou dinheiro que não deveria. Questiona-se da possibilidade de estar virando uma pobre megalomaníaca e se a vida lhe trará um futuro minimamente próspero com essas atitudes impulsivas e finamente conclui que, convenhamos, acabou de pagar apenas por uma capa estilo best-seller.
Muito café e um trabalho acadêmico que carece de liberdade criativa ao estudante dá nisso: um brainstorm frenético em sua cabeça com a função de desviar o foco daquela redação monótona.
Daí querem me passar uma reforma dita radical no currículo do curso de História, mas não conseguem em questões fundamentais, como em formas de avaliação alternativa. "Reforma ou Reciclagem: como mudar um currículo sem modificar absolutamente nada no restante ", mais nova produção do Departamento de História da Ufrgs. CÊSSABEM(Orgs.). Naturalmente, autocrítica não é muito o forte de quem a propôs.
sexta-feira, 5 de junho de 2015
domingo, 26 de abril de 2015
terça-feira, 21 de abril de 2015
Será o movimento
o imperativo da alma ao corpo,
para evitar a inércia,
que mascara da morte?
Pode ser
que a minha impaciência seja
uma busca constante por vida.
Ganas de movimento.
Ou incapacidade de vislumbrar o fim.
Os fins.
Negligência da inércia.
Será que cairemos
A partir dessa hipótese dicotômica,
Em ações deterministas?
Ou estamos sempre reconstruindo e nos desfazendo.
A todo momento
A cada acerto,
A cada dificuldade,
A cada erro.
Da inércia ao movimento, ao caos, ao movimento e à inércia.
Estrutura? O que há em seu cerne?
Algo acontecendo, sem restrições
A não ser a denominação.
Algo sempre acontece e quando eu morrer
Continuará acontecendo.
Não lamente a inconstância.
O único destino é a fluidez.
E nem se nem a morte a interrompe,
Para que insistir na linha reta?
o imperativo da alma ao corpo,
para evitar a inércia,
que mascara da morte?
Pode ser
que a minha impaciência seja
uma busca constante por vida.
Ganas de movimento.
Ou incapacidade de vislumbrar o fim.
Os fins.
Negligência da inércia.
Será que cairemos
A partir dessa hipótese dicotômica,
Em ações deterministas?
Ou estamos sempre reconstruindo e nos desfazendo.
A todo momento
A cada acerto,
A cada dificuldade,
A cada erro.
Da inércia ao movimento, ao caos, ao movimento e à inércia.
Estrutura? O que há em seu cerne?
Algo acontecendo, sem restrições
A não ser a denominação.
Algo sempre acontece e quando eu morrer
Continuará acontecendo.
Não lamente a inconstância.
O único destino é a fluidez.
E nem se nem a morte a interrompe,
Para que insistir na linha reta?
sábado, 18 de abril de 2015
Nunca levei a sério quem me dizia o quanto é difícil parar de fumar. Sim, sou bem trouxa. Hoje fumei dois cigarros, só porque estava concentrada, trabalhando. Normalmente fumo bem mais. Mas chega aquele momento em que você começa a olhar para os lados, morder o canto da bota, coçar o nariz, se remexer na cadeira, puxar os cabelos, se levanta, alonga e... e... quando vê, já dispersou e ta indo ao encontro da carteira, do isqueiro, "Ai merda, cadê essa porra!!!", vai até o fogão, queima parte da franja e carboniza a ponta do cigarro, mas consegue acender o cigarro e é como sempre dizem os hipócritas que fingem para si mesmos que levam uma vida completamente saudável: "fuma condenada, fuuumaaaa". Dispersa, com a sua fuga simples e eficaz. Mas logo vem ele. Eram os seus sinais, nada românticos...
Aquele pensamento intrusivo vem brutal. Torrencial como chuva tropical e latente como uma punhalada. É como um encosto. Chega sorrateiro para se espraiar na minha realidade e me tolher para o resto do mundo. Vou até o banheiro tonta e com a pressão baixa. Vejo meu reflexo. pouco lamentável lamentável, com duas olheira roxas abaixo dos olhos, espinhas cobrindo os poros, machucados. Por que fico tão refém de um sentimento que é quase um demônio interno? Me arranho para sentir se há vida a pulsar. Já foi bem pior. Antes eram facas, tesouras, estiletes, canivetes, giletes... Sentir arder e latejar.
Aquele pensamento intrusivo vem brutal. Torrencial como chuva tropical e latente como uma punhalada. É como um encosto. Chega sorrateiro para se espraiar na minha realidade e me tolher para o resto do mundo. Vou até o banheiro tonta e com a pressão baixa. Vejo meu reflexo. pouco lamentável lamentável, com duas olheira roxas abaixo dos olhos, espinhas cobrindo os poros, machucados. Por que fico tão refém de um sentimento que é quase um demônio interno? Me arranho para sentir se há vida a pulsar. Já foi bem pior. Antes eram facas, tesouras, estiletes, canivetes, giletes... Sentir arder e latejar.
Pareço legal
Mas já destruí casamento
E hoje, talvez em retorno
Eu tenha medo de amar.
Por que doem tanto as mentiras, a omissão
Se a proposta era ter honestidade.
De que vale incutir essa estrutura podre de relação
Se definimos desde o início que queríamos uma a outra livres.
Tem algo de podre no reino da Dinamarca
Tão distante, frio e imapeável.
Mas é mesquinho, competitivo e definitivamente podre.
Mas já destruí casamento
E hoje, talvez em retorno
Eu tenha medo de amar.
Por que doem tanto as mentiras, a omissão
Se a proposta era ter honestidade.
De que vale incutir essa estrutura podre de relação
Se definimos desde o início que queríamos uma a outra livres.
Tem algo de podre no reino da Dinamarca
Tão distante, frio e imapeável.
Mas é mesquinho, competitivo e definitivamente podre.
domingo, 5 de abril de 2015
"(...) Por que não me olhas, Iocanaan? Teus olhos, que eram terríveis, tão cheios de ódio e escárnio, estão fechados agora. Por que estão fechados? Abre-os! Ergue as pálpebras, Iocanaan! Por que não me olhas? Estás com medo de mim, Iocanaan, e por isso não me olhas? E a tua língua, que era como uma serpente vermelha expelindo veneno, não se move mais, nada diz agora, Iocanaan, aquela víbora vermelha que cuspilhava veneno contra mim? É estranho, não? Como é que a víbora vermelha já não se move?... Consideraste-me ninguém, Iocanaan. Desprezaste-me. Pronunciaste ignóbeis palavras contra mim. Trataste-me como uma meretriz, uma dissoluta, a mim, Salomé, filha de Herodíade, princesa da Judéia! Bem, Iocanaan, eu estou viva; mas tu estás morto e tua cabeça me pertence(...)"
Salomé, Oscar Wilde
Sonhos Premonitórios #1
Caule das rosas substituem minhas veias
Vão se espalhando pelo meu corpo, até subir pela traqueia até a minha boca.
Os espinhos vão se formando e cortando a minha carne por dentro
Sinto-os como em uma lembrança das campanhas da infância, me enfiando no mato correndo
E tendo aquela dolorosa surpresa.
E da boca, cresce um botão
E do botão floresce uma rosa.
Como algo que se conquista por um caminho difícil
Pela dor, pelo aprendizado e o sofrer.
Vão se espalhando pelo meu corpo, até subir pela traqueia até a minha boca.
Os espinhos vão se formando e cortando a minha carne por dentro
Sinto-os como em uma lembrança das campanhas da infância, me enfiando no mato correndo
E tendo aquela dolorosa surpresa.
E da boca, cresce um botão
E do botão floresce uma rosa.
Como algo que se conquista por um caminho difícil
Pela dor, pelo aprendizado e o sofrer.
Passo a noite na sua casa. Noites despertas de conversas longas e ganas de subversão. Toda essa vivência, esse impulso, esse tesão pelas novidades, desvairadas, rasgadas, de expressão da inconformidade. Cara, eu estaria louca por você. Eu estou louca por você. Mas um outro controle se exerce sobre mim, discreto e maldoso. E só me restam as fantasias
Penso em suas mãos pressionando os meus seios
Minha língua acareciando seu corpo.
Sussuros, sopros, gemidos e olhares languidos pelas surpresas da descoberta da intimidade.
A entrega assusta e eu me sinto tão emocionalmente imprevisível.
Aguento aqueles segundos olhando os cantos da parede da pintura descasada, reluzindo na minha pupila dilatada de anfetamina. Beijaria você, te levaria pra cama e nos apresentariamos na intimidade.
O que há comigo?
terça-feira, 31 de março de 2015
"- Descobri que não era um caso de amor, O salgueiro estava seco, morto. A primavera tinha assassinado ele. Não era um caso de amor. Ela estrangulou, vampirizou, assassinou ele. Aquela escuridão de dentro era a fraqueza dele, o fracasso dele, a morte dele. Você está me entendendo? Eu vou falar bem devagar para que você compreenda: aquela loucura de flores e
cores do lado de fora era a vitória dela. A vitória da vaidade dela às custas da vida dele. Uma vitória louca, você está ouvindo? Como se tivesse frio, ela encolheu-se violentamente. Sem querer, olhou para o lado e viu o relógio. Eram cinco e quinze da manhã. Ele repetiu:
- Uma vitória louca, uma vitória doente. Não era amor. Aquilo era solidão e loucura, podridão e morte. Não era um caso de amor. Amor não tem nada a ver com isso. Ela era uma parasita. Ela o matou porque era uma parasita. Porque não conseguia viver sozinha. Ela o sugou como um vampiro, até a última gota, para que pudesse exibir ao mundo aquelas flores roxas e amarelas. Aquelas flores imundas. Aquelas flores nojentas. Amor não mata. Não destrói, não é assim. Aquilo era outra coisa. Aquilo é ódio. Muito calma e um tanto casual, acendendo outro cigarro, afastando uma mecha de cabelos da testa um pouco fria, um pouco suada, mas nada de grave, a mulher ergueu levemente a sobrancelha esquerda, num gesto muito seu, um gesto cotidiano, habitual e sem novidades, que usava muito ao fazer compras, indagando preços, ao estender uma xícara de chá, ao dar ordens à empregada, ao girar o botão ligando o televisor, e perguntou absolutamente tranqüila, absolutamente controlada, absolutamente segura de si:
- Você está querendo dizer que acha que eu o destruí? Depositando com extremo cuidado a caixinha de música, ele disse alguma coisa em voz tão baixa que ela não chegou a entender.
- Como? Não ouviu a resposta. As duas mãos grandes e fortes do homem fecharam-se rápidas e precisas em volta da garganta dela. A mulher estendeu a perna como se chutasse algo no ar, derrubando a caixinha no chão. O dia estava quase claro quando uma nota de corda arrebentada ficou ressoando aguda no ar. Entre o som e a luz, ela ainda conseguiu ver o sorriso iluminado do homem, e se pudesse falar diria então que era exatamente: como se estivesse com a cabeça inteira dentro d’água e alguém começasse a tocar realejo na beira do rio."
Caio Fernando de Abreu, Morangos Mofados. "Caixinha de Música".
cores do lado de fora era a vitória dela. A vitória da vaidade dela às custas da vida dele. Uma vitória louca, você está ouvindo? Como se tivesse frio, ela encolheu-se violentamente. Sem querer, olhou para o lado e viu o relógio. Eram cinco e quinze da manhã. Ele repetiu:
- Uma vitória louca, uma vitória doente. Não era amor. Aquilo era solidão e loucura, podridão e morte. Não era um caso de amor. Amor não tem nada a ver com isso. Ela era uma parasita. Ela o matou porque era uma parasita. Porque não conseguia viver sozinha. Ela o sugou como um vampiro, até a última gota, para que pudesse exibir ao mundo aquelas flores roxas e amarelas. Aquelas flores imundas. Aquelas flores nojentas. Amor não mata. Não destrói, não é assim. Aquilo era outra coisa. Aquilo é ódio. Muito calma e um tanto casual, acendendo outro cigarro, afastando uma mecha de cabelos da testa um pouco fria, um pouco suada, mas nada de grave, a mulher ergueu levemente a sobrancelha esquerda, num gesto muito seu, um gesto cotidiano, habitual e sem novidades, que usava muito ao fazer compras, indagando preços, ao estender uma xícara de chá, ao dar ordens à empregada, ao girar o botão ligando o televisor, e perguntou absolutamente tranqüila, absolutamente controlada, absolutamente segura de si:
- Você está querendo dizer que acha que eu o destruí? Depositando com extremo cuidado a caixinha de música, ele disse alguma coisa em voz tão baixa que ela não chegou a entender.
- Como? Não ouviu a resposta. As duas mãos grandes e fortes do homem fecharam-se rápidas e precisas em volta da garganta dela. A mulher estendeu a perna como se chutasse algo no ar, derrubando a caixinha no chão. O dia estava quase claro quando uma nota de corda arrebentada ficou ressoando aguda no ar. Entre o som e a luz, ela ainda conseguiu ver o sorriso iluminado do homem, e se pudesse falar diria então que era exatamente: como se estivesse com a cabeça inteira dentro d’água e alguém começasse a tocar realejo na beira do rio."
Caio Fernando de Abreu, Morangos Mofados. "Caixinha de Música".
segunda-feira, 30 de março de 2015
Soco em Ponta de Faca
- Oi Bá.
- Oi. - porque ela insiste em me chamar pelo meu apelido? Não quero mais essa pretensa intimidade para iniciar uma conversa prática e interesseira. Eu não preciso de nada que você tenha, apenas da sua boa vontade para me escutar.
Internamente, só queria que essa tortura acabasse. Essa mesma, de tentar extinguir uma emoção selvagem, um amor que não se pode sufocar, implacável, tão íntimo e sensível de se manipular de forma 100% consciente e reflexiva, verborrágico, beirando o eufórico. E por causa disso me afastei de você e todo o seu perímetro. Porque eu sou assim mesmo. As coisas afloram em mim como catarses que eu não consigo sufocar e disso você já teve provas. Ainda não sei conviver sem as explosões.
Mas nas ruas, o tratamento é tão impessoais, fugas e sei lá. Difícil... Qual é o problema!? Você precisa de sofrimento alheio para abrir o próprio caminho no seu mundo hermético? De provas de amor desesperadas? Eu sei, algumas pessoas alimentam a alma com vingança. É o que você quis dizer com "não ter sido uma boa companheira?" Por que você se arrependeu de abraçar uma relação livre comigo em que enfrentar o próprio ciume foi insuportável? Eu esperava que você não lamentasse e se esforçasse por mim um pouco mais, assim como eu me esforcei para controlar meus impulsos de raiva, que acabavam refletindo em você, naquele contexto doméstico e codependente. Assim como eu fui compreensiva e dei mais atenção a você para que não se sentisse preterida. Mas se eu não fui a pessoa mais paciente, tampouco foi você, em questão de se fechar completamente e me ignorar. É terrível ser tratada com indiferença.
Eu estava quieta, me sentindo prática, independente, criativa, bonita. Eu só queria que ela sumisse do meu campo de visão. Que o menosprezo dela não se materializasse como uma entidade sobre a minha auto-estima frágil. Que ela não assombrasse o meu inconsciente e as divagações a luz do dia, que assaltam a minha mente, sem que eu permita.
- To meio que ocupada com alguns trabalhos, meio que comprometida com alguns atividades, meio que fudida com alguma coisa, como sempre, cê sabe... - meio que me curando de uma decepção, meio que achando fugas para não pensar na minha facilidade de me entregar e na sua facilidade em se esquivar e correr na direção oposta...
- Oi. - porque ela insiste em me chamar pelo meu apelido? Não quero mais essa pretensa intimidade para iniciar uma conversa prática e interesseira. Eu não preciso de nada que você tenha, apenas da sua boa vontade para me escutar.
Internamente, só queria que essa tortura acabasse. Essa mesma, de tentar extinguir uma emoção selvagem, um amor que não se pode sufocar, implacável, tão íntimo e sensível de se manipular de forma 100% consciente e reflexiva, verborrágico, beirando o eufórico. E por causa disso me afastei de você e todo o seu perímetro. Porque eu sou assim mesmo. As coisas afloram em mim como catarses que eu não consigo sufocar e disso você já teve provas. Ainda não sei conviver sem as explosões.
Mas nas ruas, o tratamento é tão impessoais, fugas e sei lá. Difícil... Qual é o problema!? Você precisa de sofrimento alheio para abrir o próprio caminho no seu mundo hermético? De provas de amor desesperadas? Eu sei, algumas pessoas alimentam a alma com vingança. É o que você quis dizer com "não ter sido uma boa companheira?" Por que você se arrependeu de abraçar uma relação livre comigo em que enfrentar o próprio ciume foi insuportável? Eu esperava que você não lamentasse e se esforçasse por mim um pouco mais, assim como eu me esforcei para controlar meus impulsos de raiva, que acabavam refletindo em você, naquele contexto doméstico e codependente. Assim como eu fui compreensiva e dei mais atenção a você para que não se sentisse preterida. Mas se eu não fui a pessoa mais paciente, tampouco foi você, em questão de se fechar completamente e me ignorar. É terrível ser tratada com indiferença.
Eu estava quieta, me sentindo prática, independente, criativa, bonita. Eu só queria que ela sumisse do meu campo de visão. Que o menosprezo dela não se materializasse como uma entidade sobre a minha auto-estima frágil. Que ela não assombrasse o meu inconsciente e as divagações a luz do dia, que assaltam a minha mente, sem que eu permita.
- To meio que ocupada com alguns trabalhos, meio que comprometida com alguns atividades, meio que fudida com alguma coisa, como sempre, cê sabe... - meio que me curando de uma decepção, meio que achando fugas para não pensar na minha facilidade de me entregar e na sua facilidade em se esquivar e correr na direção oposta...
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